sexta-feira, agosto 31

Anos Incríveis

“Ter 13 anos é estranho: você é jovem demais para votar e dirigir, mas é maduro o suficiente para se apaixonar.”

Eu e Renato vimos o último episódio de "Anos Incríveis" no domingo. Sabe, nunca fui muito de assistir seriado de TV (não ter TV a cabo em casa é bastante significante neste aspecto), mas "Anos Incríveis" foi uma experiência realmente sublime.

Eu tinha visto alguns episódios na infância, quando passava férias na casa dos meus tios. Não lembrava, por exemplo, o nome dos personagens ou que o protagonista, Kevin Arnold, era um canalha, mas sabia que retratava o dia-a-dia de adolescentes e suas peripécias amorosas, familiares, filosóficas e etc.

“Ela, Winnie Cooper, a única razão pela qual as noites de verão foram inventadas!”

Depois de mencionar a minha comoção com estes poucos episódios vistos de férias em férias, Renato, com seu poder de gênio da lâmpada, fez aparecer a série completa - mesmo sem nunca ter sido lançada no Brasil.

"Acho que, de certa forma, todos somos rejeitados. Isso até que a gente ache alguém que combine com a gente, alguém que nos desafie a ser o melhor que pudermos. Alguém que nos entenda, mesmo quando damos o pior de nós. Foi aí que comecei a perceber como isso era raro..."

Durante os últimos meses, a família Arnold, além de Paul e Winnie, passou a fazer parte da minha rotina, uma família a quem eu queria bem, que podia visitar vez por outra. Essas visitas aconteciam geralmente aos sábados e domingos, sempre na companhia do responsável pela minha própria família, meu gato Félix.

“Anos Incríveis” tinha uma porção de ingredientes fabulosos, responsáveis pelo sucesso que fez no mundo todo: mostrava os conflitos de um pré-adolescente que caminhava para a puberdade e daí para a fase adulta, durante as décadas de 60 e 70; As cenas eram revividas e comentadas pelo Kevin adulto, que muitas vezes discordava ou tentava explicar o que se passava na cabeça de um garoto dos 11 aos 16 anos; como pano de fundo, mostrava-se os fatos históricos que aconteciam naquela época, como os conflitos políticos, a onda hippie, a invasão do rock: Woodstock, Elvis Presley, Beatles, Mick Jagger, e mais uma porção de coisas. O drama dos episódios geralmente era mesclado a estes fatos, o que revelava cenas antológicas não só da história americana, mas mundial.

"Quando somos crianças, somos um pouco de cada coisa. Artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta. De que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo".

E a trilha sonora? Ai, a trilha sonora... Lindíssima! Inclusive, uma das razões que explica o fato da série nunca ter sido lançada por aqui – e, me parece, nos Estados Unidos também não – são os direitos autorais das canções, segundo o jornalista Félix. Ah! “The Girl from Ipanema" está lá, com a interpretação de Tom Jobim e Frank Sinatra... Ou seria da Astrud Gilberto? Não lembro.

"Era uma vez uma garota que eu conhecia, morava do outro lado da rua. Cabelos castanhos, olhos também. Quando ela sorria, eu também sorria. Quando ela chorava, eu também chorava. Qualquer coisa que sempre acontecia comigo, de algum modo, tinha a ver com ela. Naquele dia, Winnie e eu fizemos uma promessa de que não importava o que acontecesse, nós sempre estaríamos juntos. Uma promessa cheia de amor, paixão e sabedoria. Uma promessa que só poderia ser feita pelos corações jovens."

Bem, como eu ia dizendo sobre o último domingo, 'naquela noite', eu e Renato assistimos ao último episódio de “Anos Incríveis”. Devoramos uma série gravada em seis anos, em poucos meses. Dos 115 episódios, vimos 115 juntos, geralmente antes ou depois do cinema. Deitados no sofá da sala, enternecidos com cada capítulo, não paramos pra pensar em nós. Menos de uma semana depois, sentindo o saudosismo mais recente da história, percebo que cada dia dedicado à série já faz parte dos nossos ‘anos incríveis’.

"Por toda a nossa vida, procuramos por alguém pra amar...Alguém que nos complete...Nós escolhemos companhias e mudamos de companhias...Dançamos músicas que falam de corações partidos e de esperança...E por todo o tempo pensando se, em algum lugar, de alguma forma, existe alguém perfeito...Que esteja a nossa procura..."

quinta-feira, junho 14

Um dia de Pan*

*Para Diana

Hoje a tocha do Pan chegou à João Pessoa. Políticos e imprensa estavam em massa no Castro Pinto para receber a chama olímpica que até afastou a chuva da Capital.

O embaixador dos jogos no Brasil, Bernard, abriu a cerimônia de passagem da tocha e eu aproveitei para tietar o criador do "Jornada nas Estrelas".

É claro que eu nunca o vi jogar, mas lembrei da minha prima "metade voleibol, metade mulher" e pedi uma pose do jogador em sua homenagem.




quarta-feira, junho 13

A cara não nega...

É claro que Ariano adorou o beijinho que eu dei em sua bochecha, mas não foi só ele. Dois amigos/artistas meus fizeram intervenções geniais.

Essa é a original, na exposição em homenagem aos 80 anos de Ariano, no Cineport .
[Esqueci o nome do fotógrafo]

Um presente especial de aniversário. :)


Alguém duvida que foi verdade? :D
O crédito é de um amigo que tem medo da fama e por isso não quer ser identificado. :p

sexta-feira, junho 8

quinta-feira, maio 31

Cinema, pessoas ilustres e bom-humor

Sabe uma situação digna de sonho? Aconteceu comigo outro dia. Era um sábado à noite, eu estava no Santa Roza e assistia a premiação de um festival de cinema. Na platéia, há poucos metros de mim, Ariano Suassuna, Selton Melo, Mateus Natchergaele, Paulo José, Walter e Wladimir Carvalho e algumas figuras da qualidade de Lírio Ferreira. Não fosse o fato de todos terem alguma relação com o cinema, este seria um sonho tipicamente nonsense. Ainda mais estranho é reconhecer que nem mesmo o meu subconsciente foi capaz de conceber uma criação desse porte e, por isso, deixou a cargo da própria realidade.

Até que eles são parecidinhos...

Pois assim foi o penúltimo dia, mais precisamente a noite de premiação, do Cineport (Festival de Cinema de Países da Língua Portuguesa) que aconteceu no início deste mês na Usina Cultural da Saelpa, agora sede do festival.

A primeira vez que eu pisei na Usina durante o Cineport foi na quinta-feira, seis dias depois dele começar. Já passava das 22h, eu acabava de chegar de Campina, cansaço era apelido, morria de dor de cabeça e de fome. Mesmo sem raciocinar direito,
senti na hora a importância daquele acontecimento para a nossa terrinha - até então desprovida de um festival nacional (muito menos internacional) de cinema. Tanto é que voltei nos dias seguintes. :)

Vi apenas os documentários “Cartola”, de Lírio Ferreira, e “O Senhor do Castelo”, de Marcus Vilar. Este último, uma honra. A fila para entrar na tenda dava voltas e voltas; a sessão contou com a presença do personagem documentado, Ariano Suassuna, e com a enorme euforia de uma platéia que reconhecia e admirava o escritor conterrâneo. Quando o vídeo terminou, o público enfim pôde extravasar a emoção contida durante os 70 minutos do vídeo. Aplausos venerados mostraram àquele senhor de 80 anos que ele não enfrenta uma batalha em defesa da língua portuguesa e dos valores regionais sozinho. Como diria Caetano, ‘foi liiiiiiiindo’. Ah, detalhe: a assessoria de imprensa de “O Senhor do Castelo” durante esse período era minha. :)

No mais, bons papos e boas companhias, inclusive a do meu namorado, que, pobrezinho, teve a “infelicidade” de trocar a redação da TV pela Usina Cultural da Saelpa para produzir, de lá, as matérias do festival para os JPB’s – isso durante uma semana.

(Walter Carvalho e Ariano)

Quem perdeu, faça o favor de não cometer essa injustiça em 2009.



sexta-feira, abril 20

É preciso não esquecer nada

Fazia um tempão que eu queria vir aqui, até pra dizer que este bloguinho ainda não foi abandonado. Mas é que os dias andam tão carregados de atos*, que mesmo a relação diária com o meu computador foi comprometida.

Um breve relato do que tem acontecido no meu mundo nos últimos tempos: “Pequena Miss Sunshine” levou Roteiro Original e Ator Coadjuvante (Alan Arkin) no Oscar; após dois longos anos, meu estágio no Sesc chegou ao fim; passei pela assessoria de imprensa do Para’iwa, por um portal de notícias e agora ando fazendo uns serviços na subsecretaria de Cultura do Estado; minha prima Diana chegou de viagem, mas andamos tão atarefadas que não fofocamos 1/3 do que deveríamos; ainda não apresentei meu projeto final – o que deveria me fazer perder o sono mais vezes; eu e Renato já estamos praticamente na metade de “Anos Incríveis” - uma série que merece um textinho exclusivo posteriormente; Romário ainda não fez o gol mil, enquanto seu Pedro ficou satisfeito da vida com seu primeiro.

O tempo tem passado rápido demais, mas enquanto os nossos dias permaneceram cheios de atos, não sentiremos o impacto das nossas ações. Um poema da Cecília Meirelles alerta sobre a importância de não esquecer nada:

*É preciso não esquecer nada
Cecília Meirelles (1962)

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.

Há três anos, mais ou menos, o amigo Gadioli me apresentou a esta poesia. Lembro dela vez por outra...

quinta-feira, abril 5

segunda-feira, fevereiro 19

Sem confetes e serpentinas...

Pois é, assim tem sido o meu Carnaval, ou melhor, meu feriado, porque chamar isso de Carnaval é exagero. Pra você não achar que esse lamento é descabido, aviso aos navegantes que no último domingo e nesta terça-feira de Carnaval, 18 e 20, eu estive/estarei de plantão no Sesc Gravatá, para fazer cobertura de foto e vídeo (mais uma vez) do Carnaval dos comerciários.

Para agravar a situação, aquele que se diz meu namorado inventa uma viagem para o Rio de Janeiro (pois é, RIO DE JANEIRO) justo nessa época e me deixa aqui sozinha... Merece ou não merece uma greve daquilo? (É! Disso mesmo que você está pensando)

Ligo a TV: escolas de samba! O rádio: marchinhas de Carnaval! O MSN: todo mundo offline! O Orkut: fotos substituídas pela frase ‘Fui para Olinda’! Ninguém me liga, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire... :(


Um dos carros abre-alas da Mangueira: homenagem ao modernismo brasileiro

Bom, ontem eu não agüentei a pressão e, enquanto a Mangueira desfilava (colorida e, também por isso, linda!), eu levantei do sofá e fiquei sambando sozinha na sala de casa. Deplorável, eu sei. Mas o ser humano tem dessas coisas...



Acabei lembrando de uma viagem que fiz com Carol, Dayse e Mirthis ao Rio, em setembro de 2005. Fomos até a quadra da famosa Estação Primeira de Mangueira e sambamos pelos próximos dez Carnavais. Isso com direito a desfile de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianas e, claro, parte da bateria da Mangueira. Talvez isso tenha me confortado um pouco e me mantido serena, capaz de não abusar do chocolate ou ter ataques de histeria.

Por fim, vou ficar aqui, curtindo o auge da minha melancolia em companhia do Bloco do Eu Sozinho. Afinal, todo Carnaval tem mesmo seu fim...

sábado, fevereiro 17

Mais um!

Isso aqui está parecendo a assessoria de Pequena Miss Sunshine, mas é o que está em pauta atualmente. Fazer o quê?

Direto do Minha Vida de Cinéfilo:

MAIS DOIS PRÊMIOS
1 - Saiu a premiação do Sindicato dos Roteiristas. E adivinha? Pequena Miss Sunshine ficou com o prêmio de roteiro original e Os Infiltrados com o de roteiro adaptado. Considerando, mais uma vez, que todos os membros desse sindicato são também membros da Academia, vai ficando cada vez mais provável que a disputa será mesmo entre esses dois filmes. Leia o resto...

sexta-feira, fevereiro 2

Bodas de um ano



Comunidade Jornalista Só Anda Junto
Tópico: Jornalista só namora jornalista?
Larissa: Não só namora como anda de ônibus 19/10/2005

De fato, jornalistas namoram jornalistas.
Outro dia entrei no ônibus e sentei atrás do autor do tópico em questão. Por não conhecê-lo pessoalmente, hesitei em perguntar: 'Jornalista Só Anda [de Ônibus] Junto?' (Risos)
Prazer, Renato!

Página de Recados de Larissa
Renato 11/01/2006

O que é mais estranho? Você me reconhecer num ônibus e pensar em perguntar se "jornalista só anda (de ônibus) junto" ou eu só ter visto esse post no tópico hoje e agora vir responder? Considerando (pelo seu blog) que você é íntima da Carol Marques (que foi minha aluna de cinema) e da Dayse (que já é uma amiga querida, mesmo a gente tendo se visto só contadas duas vezes na vida), nos conhecemos quase desde a infância! Podia perguntar, então (risos)! Abraço!


Parece que foi ontem...

segunda-feira, janeiro 29

Vantagem na corrida


Pelo visto, não estou na torcida por “Pequena Miss Sunshine” sozinha. O Sindicato de Atores do EUA deu ao filme o prêmio de Melhor Elenco, que, segundo aquele crítico de cinema do Jornal da Paraíba, meu digníssimo namorado Renato Félix, é o equivalente a categoria de Melhor Filme (essa categoria não é premiada pelo sindicato).

Bom, se ganhou de Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Jack Nicholson em “Os Infiltrados”, as chances são maiores do que eu esperava. :)
Mais detalhes...
Greg Kinnear e Abigail Breslin na premiação

terça-feira, janeiro 23

Pequena Miss Sunshine

Passei a vida inteira ouvindo uma cantada barata em que diz que nos “menores frasquinhos estão as melhores fragrâncias”. Pois bem, hoje uso essa expressão tão manjada para falar de algo extremamente original e belo: Pequena Miss Sunshine, filminho americano de baixo orçamento, indicado ao Oscar esse ano. “Menores frascos”, diga-se de passagem, em referência a ausência de efeitos e ao baixo custo de produção (míseros US$ 8 milhões), que acarreta numa porção de coisas que poderiam fazê-lo não chegar ao Bafta, ao Globo de Ouro e, muito menos, ao Oscar.

Pois chegou. E chegou com classe, concorrendo aos prêmios de Melhor Filme, Roteiro Original, Ator e Atriz Coadjuvantes. Ótimo! Viva o filme que mais me fez chorar em 2006! :)

Uma ajuda do adorocinema para facilitar minha vida: “O pai desenvolveu um método de auto-ajuda que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida e o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes. Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada.”

Eu já vi que a ingenuidade é algo que me comove muito. Assim foi com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e agora com Pequena Miss Sunshine.

O filme é uma comédia engraçadíssima, que beira a tragédia com muita sutileza. São tantas desgraças acontecendo em torno dessa família, que chega a ser cômico. E o melhor momento dessa tragicomédia acontece nos minutos finais do filme, quando, enfim, a pequena Olive concorre ao sonhado Miss Sunshine. Em respeito àqueles que não assistiram ainda, não vou comentar a cena, mas a sensação que ela causou em mim, ah, disso eu não posso me esquivar. Comecei a rir desesperadamente, assim como todos que estavam no cinema naquele dia. Quando me dei conta, já estava me derretendo em lágrimas, que, a princípio, poderiam até ser fruto da comédia, mas que depois ficou claro que elas estavam caindo dos meus olhinhos por culpa da enorme tragédia que aquilo tudo acarretava. Nossa! Despertou uma sensação extremamente nova em mim. E como é bom o ineditismo de uma sensação!

Bom, já que “Cinema, Aspirinas e Urubus” ficou fora, essa é a minha torcida por Pequena Miss Sunshine!

terça-feira, janeiro 16

O Dia em que Meus Pais Vieram para a Minha Formatura*...

Eu passei meses decidindo se faria uma festa de formatura ou não. Primeiro perguntei aos meus pais, claro, se eles estavam dispostos a pagar uma festinha pra mim. Eles, como eu já esperava, se dispuseram. A primeira filha a se formar... O glamour da festa... Mainha ia poder, enfim, ver uma de suas filhas bem produzida, com unha pintada, de sobrancelha feita, cabelo ‘enlaquezado’... Por tudo isso, estava claro que a festa ia acontecer. E aconteceu!

Como eu acredito profundamente no poder da palavra, vale a pena registrar em texto o que ficou nas ‘entrelinhas das fotos’...

Os amigos mais antigos sabem que eu tenho um histórico bem parecido com aquele personagem da Turma da Mônica, o Do Contra. [Hoje eu tenho consciência de que uma pessoa que veste uma calça pelo avesso não pode ser absolutamente normal...] Pois bem, a prova disso é que a turma com quem eu fiz a festa não era a de jornalismo, mas, sim, a de rádio e TV. Uma turma relativamente complicada. Não queria ser clichê, mas queria descer a escada com aquela música de Celebridades. Ainda decidiram que a cor do vestido da formatura seria pink! Eu posso com isso? Bom, e aí a pergunta que não quer calar: e por que eu não me formei com a turma de jornalismo? Simples, a festa de jornal aconteceu no dia 30 de dezembro do ano passado. No dia anterior, meus pais – que têm um buffet – tinham uma festa de formatura para mais de 1.200 pessoas, o que os impossibilitava de vir. Eu também não posso ignorar o valor da festa, orçado em aproximadamente mil reais. Então, para não passar em branco, fiz com outra habilitação. Uma festa mais barata... Numa data interessante para os meus pais (4 de janeiro)... Os meus amigos poderiam ir... Pronto, estava decidido. Agora era arranjar um salão de beleza e ser feliz!

Meus pais chegaram um dia antes, acompanhados dos meus irmãos, minha cunhada e meu sobrinho lindo. Minha roupa ainda estava sendo fabricada, mas estava no prazo, já que encomendei poucos dias antes do Natal. E - quem diria? - o mais problemático de tudo foi o maldito salão de beleza. Até achamos a cabeleireira facilmente (a mãe de uma amiga de Maria Clara), mas não fazíamos idéia que ela não ia gostar de mim... Cheguei lá com o sonho de cachear os meus escorridos cabelos - sonho que caiu por terra assim que eu vi o que ela estava fazendo com o cabelo da minha irmã. Vi logo que não ia prestar e já corri para o plano B: cortar curtinho, algo bem moderno. O problema todo foi quando este diálogo aconteceu:

Eu: - Mas antes de cortar eu gostaria de saber mais ou menos como vai ficar. Você não teria uma revista pra eu dar uma olhadinha?
Cabeleireira: - Tenho, mas acho que você deveria confiar na cabeleireira. Cortar tem muito de criatividade...

Enquanto eu estava olhando as revistas ela já olhava pra mim de modo muito estranho, ameaçador, eu diria. Pois bem, resolvi sentar na cadeira antes que ela passasse a máquina na minha cabeça no zero. Ela puxou meu cabelo, botou laquê no meu olho e ainda fez uma maquiagem que eu detestei. Pior de tudo foi quando eu disse: “Não gostei desse batom, não combina comigo”. E ela: “Não, mas ele é o ideal.” E NÃO TIROU! Eu disse que queria meus olhos bem pretos, ELA BOTOU ROSINHA CLARO! Saí de lá irada por não poder fazer um escândalo (não queria criar um clima entre Maria Clara e a amiga) e porque a conta deu altíssima. Ah! Além de tudo, os cachos do cabelo de Maria Clara, como eu já havia percebido desde que encostaram o baby liss nela, caíram assim que ela botou o pé fora do salão.

Como esse texto já está longo demais, vou resumir o que aconteceu no resto da noite que as fotos não revelam. O jantar que mainha comprou no Pão de Açúcar estava estragado. O salgado da festa estava horrível. Algumas amigas importantes não puderam ir. A banda era realmente péssima - não teve coragem de cantar, sequer, “Estúpido Cupido”. Mainha foi dormir com uma infecção intestinal horrorosa e eu com calafrios, tamanha era a minha febre. No outro dia, quando a família estava voltando pra Patos, o motor do carro quebrou na saída de João Pessoa. Disso só fiquei sabendo uma semana depois, porque painho, para não me preocupar, deixou o carro na oficina, pegou um emprestado com um amigo e foi embora sem nos contar nada.

Pronto. A parte realmente boa da festa não precisa contar. É só ver as fotos. =)

Moral da história: quando você precisar de uma cabeleireira pergunte logo se ela se acha uma artista. Se a resposta for sim, caia fora.

*Plagiando “O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias”: um filme nacional dirigido por Cao Hambúrguer, mesmo diretor de Castelo Rá-Tim-Bum.

quarta-feira, dezembro 20

Uma fortaleza, essa menina...

Lutar contra o final do ano é mesmo impraticável. Todo dia eu luto para ele não acabar. Luto para não esquecer as coisas que aconteceram. Luto para não ficar mais velha. Luto para não ficar tão emotiva. Luto para não deixar a saudade dos amigos distantes me pegar de jeito. Luto para não arrancar uns malditos dentes que estão sobrando na minha boca e tornando a minha gengiva insuportavelmente dolorida. Luto para nunca terminar a decoração do meu apartamento. Luto para escolher uma música para a minha festa de formatura. Luto para não deixar de ser universitária. Luto para respirar calmamente todos os dias...

... Lutei para não começar um danado de um blog a essa altura... (que altura?)

Pelo menos começo o ano diferente... :)